Publicado em: 14 de março de 2019

Moradores de Suzano prestam homenagens a mortos em tiroteio

Começou por volta das 7h desta quinta-feira (14), no Ginásio Arena Suzano, o velório das vítimas do atentado contra a Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, no interior paulista.

Moradores da cidade formam uma fila para homenagear os mortos no massacre. O espaço foi divido por grades, deixando um espaço reservado para as famílias. Muitos já ocupam as galerias do ginásio.

Estão sendo veladas no local os alunos: Caio Oliveirade 15 anos, Claiton Antonio Ribeiro de 17 anos, Kaio Lucas Costa Limeira de 15 anos, e Samuel Melquiades de16 anos; além da coordenadora pedagógica Marilena Ferreira Umezo de 59 anos e da funcionária Eliana Regina de Oliveira Xavier de 38 anos. O estudante Douglas Murilo Celestino, por motivos religiosos, está sendo velado em uma igreja da Assembleia de Deus.

Os atiradores Luiz Henrique de Castro e Guilherme Taucci Monteiro, estão sendo velados em outro local. Segundo as investigações, um jovem disparou contra o outro e depois se matou. Jorge Antonio de Moraes de 51 anos, dono da locadora de onde os atiradores roubaram o carro utilizado na ação e tio do Guilherme, também está sendo velado em outro local.

Tânia Regina Augustinho foi professora de Samuel Melquíades em outra escola da cidade. “Foi meu aluno. Uma criança muito gentil, muito inteligente, sempre dedicada com os amigos e amoroso. Ele tinha muitos amigos. Fiquei sem chão quando vi o nome dele na lista. Nós estamos muito vulneráveis. A gente trabalha, lida com vidas, é o nosso recurso humano”, disse emocionada.

A professora avalia que este atentado, apesar de traumático, fará com as pessoas reflitam sobre a mediação de conflitos nas escolas e um olhar diferenciado para os adolescentes. “O papel da escola é mediar e não criar conflitos. Precisamos aprender a gerenciar emoções, a tratar a questão do bullying. Não inocentando o atirador, mas o Guilherme frequentava a mesma igreja que eu. É um aprendizado constante para que essa criança consiga se expressar”.

A ajudante geral Cristina Rafael de Souza de 32 anos, veio com a filha de 14 anos, que fez questão de prestar homenagens especialmente para os amigos Samuel e Caio. A jovem estuda no centro de línguas que funciona dentro da Escola Raul Brasil e estava no local no momento do tiroteio. “Ela está muito abalada, não dormiu direito e nem comeu. Está sendo bem difícil”, relatou.

Cristina contou que a filha ficou trancada dentro de uma sala de aula até que a polícia chegasse, mas, ao sair do local, viu os corpos de colegas que estavam no pátio da escola.

Homenagens

O pedreiro Antônio da Paz de 63 anos, veio de Guaianazes, bairro da zona leste paulistana, com um cartaz para pedir paz. “Vim trazer solidariedade para as famílias e trazer esse cartaz pra todo mundo ver que tem muita gente de coração nesse nosso Brasil”. No cartaz, Antônio questiona o porquê de tanta violência e pede por uma cultura de paz nas escolas.

Jivanete Barbosa de 47 anos, não conhece pessoalmente nenhum dos mortos, mas disse estar abalada, assim como muitos moradores da cidade. “Moro aqui pertinho da escola. Minha filha estudou lá. Ela tem 26 anos. É uma escola muito boa. Eu soube da notícia e fiquei muito assustada. Vim aqui pra homenagear aqui as famílias”.

Fonte: Agência Brasil

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