Publicado em: 8 de março de 2019

Carga mental: a tarefa invisível das mulheres de que ninguém fala

No mundo do trabalho, os homens continuam sendo, na maioria dos casos, aqueles que detêm o poder, planejam e ditam estratégias. Se compararmos a casa com uma grande empresa, veremos que, na grande maioria dos casos, são elas que programam, preveem, fazem planos, adiantam possíveis falhas ou problemas e têm em conta todos os detalhes e a interação das partes.

Além do trabalho executivo, as donas de casa também realizam os trabalhos reservados aos empregados, à mão de obra: cozinham, limpam, cuidam dos outros, colocam a máquina de lavar roupa para funcionar, fazem as compras ou descem o lixo.

Um trabalho invisível e pouco valorizado faz com que as cabeças das mulheres não parem de trabalhar enquanto seus parceiros relaxam diante da televisão. A carga mental, isto é, a quantidade de esforço não físico e deliberado que deve ser realizado para alcançar um resultado concreto, é quase sempre assumida por elas.

A marca de produtos para o lar Procter & Gamble acaba de publicar uma pesquisa sobre o assunto com dados bastante reveladores. Na Espanha, 3 em cada 4 mulheres sofrem de carga mental, embora 40% delas desconheçam o conceito e 45% nunca falaram com ninguém sobre o assunto.

“Dentro dessa pesquisa foi incluída uma experiência na qual vários casais reais foram convidados a anotar em seus telefones celulares todas as tarefas domésticas que fizeram durante uma semana. Embora 46% dos casais acreditem compartilhar essas tarefas, o resultado é revelador porque os homens fizeram muito poucas anotações. São muitos e muitas que nunca tinham ouvido falar desse conceito e ficam surpresos quando descobrem que sobre elas recai não apenas a maior parte das tarefas, mas também o trabalho de estratégia”, diz a psicóloga Violeta Alcocer.

Uma carga silenciosa e duplamente pesada

Historicamente a administração da casa foi entendida como algo essencialmente feminino, que elas fazem quase que por instinto e a recente aceitação das tarefas domésticas por parte dos homens forneceu-lhes o álibi perfeito para demonstrar sua corresponsabilidade e dar o assunto por encerrado.

A ilustradora francesa Emma Clit foi uma das primeiras a colocar o dedo na ferida com sua história em quadrinhos. “A criação dos filhos e o trabalho doméstico colocam a mulher nesse esquema graças ao patriarcado. Uma sociedade dominada pela classe masculina, que deteve o poder político e religioso durante séculos e manteve o controle sobre as mulheres, especialmente sobre sua capacidade reprodutiva, que é um poder essencial”.

Estratégias para dividir o peso

Antes de mais nada, é preciso tirar do armário esse peso invisível, esse trabalho imaterial que paira como um fantasma, assombrando a vida de quem o suporta. “Em sua maioria são mulheres, embora também haja casos de homens que assumem a carga mental, mas em menor medida”, afirma Violeta Alcocer.

Saber delegar é uma qualidade que nem todo mundo possui. Segundo o estudo realizado pela psicóloga Violeta Alcocer: “Apenas 24% das mulheres são capazes de se despreocupar da tarefa deixada para os outros, enquanto 72% admitem criticar e fiscalizar a forma como os outros fazem as coisas”.

“Deixa que eu faço, eu acabo antes”; “Vou sair, mas deixei comida pronta para vocês na geladeira”; “Se você não souber onde está algo me chame” – essas deveriam ser frases proibidas no vocabulário de qualquer aspirante a se desvencilhar da sua carga mental.

Fonte: Direto da Redação com informações do site El País

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